Hoje posso dizer que o dia foi uma bosta. Tudo foi uma bosta. Ficar na dúvida é sempre uma bosta. Acordar sem ter aquela mensagem que você tanto esperou. Andar por andar, simplesmente pra não ter que chegar na sua casa vazia e solitária esperando a maldita mensagem.
Eis que finalmente chega a mensagem, só que não é nada daquilo que você esperava. Chega a ser cômico e patético. Irônico, sarcástico, explícito.
Do nada eu me vejo mandando mensagens de audio puto da vida, me sentindo sacaneado. Sendo feito de otário. Com a impressão de que tinha várias pessoas no me quarto apontando o dedo pra mim e rindo.
Eu só li bullshit’s, não lida nada do que gostaria de ler. Era desagradável, sem poesia alguma. Era uma espécie de artigo de jornal, te informando sobre merdas que você não quer saber. A gente em nenhum momento quer ouvir notícias ruins nessa vida. E aquele texto era um artigo sobre um término, mas um término feio, que começou sem graça. Dá vergonha de saber que era um relacionamento sem graça, a impressão que você tem é de que as suas coisas são sempre as piores. Nada que você faz é bonito de verdade. É como estar na escola, ver todos aqueles desenhos bonitos e coloridos dos coleguinhas, e o seu ser simples e marrom. Marrom porque você não tem criatividade pra pensar em outras cores. Você sempre usa as cores mais neutras e sem graça. Não é porque você quer. O seu desenho é feio porque você não sabe fazer um desenho bonito, você não sabe usar as cores certas. Você vê apenas várias cores e escolhe qualquer uma. Quando você escolhe ela, você sabe apenas usar ela. Não é por preguiça ou maldade, você simplesmente não sabe por que existem tantas cores…
E você continua sendo assim na vida. Aquela criança que esconde o desenho feio. Porque de alguma forma, é como você se sente. Você é o desenho feio da turma. Você é o cara que não sabe usar as cores. E todos te julgam. Todos riem de você.
É assim que me sinto. Eu sou a criança que sente vergonha do meu desenho.