Ele tinha um certo problema com um coelho grande, gordo e maldito que vivia em seu jardim. Grandes olhos de cor arco-íris, 1.90m de altura, e bem grande, um grande imbecil pra falar a verdade. Sempre que passava pelo jardim de manhã para ir trabalhar se deparava com aquela criatura desgraçada que vivia fazendo coisas para irritá-lo. Saía tropeçando em algumas cenouras, chutando o barro que era tirado de seu jardim; que toda manhã insistia em ficar no seu caminho.
As coisas não iam bem na vida dele, pra falar a verdade. Contas, impostos, idade, falta de dinheiro. O verdadeiro kit da vida fodida. Trinta anos e uma casa velha.
- Cara, qual o seu problema?! - Explodiu ele com o coelho.
- Que que foi, velho? - Respondeu o coelho surpreso.
- Você vive fazendo essa maldita zona no meu quintal já faz quase 5 anos. Porque você não vai se foder seu gordo maldito? - Disse ele.
- Que que é, vai encarar ?! - Respondeu o coelho se erguendo e levantando as orelhas, disparando um olhar furioso.
O rapaz se sentiu intimidado e correu para o trabalho.
A rotina entre sua casa e o trabalho durava exatamente 35 minutos de distancia; o qual ele fazia sem pensar em nada naquele momento. Segurava uma maçã com sua mão esquerda, e ia desviando das pessoas enquanto andava.
No trabalho tinha poucos amigos, eles o achavam estranho e magro de aparência esquelética, olhos fundos, 1,70m de altura, cabelo curto e penteado para os lados. Falava pouco, era tímido, e também não tinha muito assunto.
Antony, o coelho imbecil, também tinha seus problemas. Cenouras não dão em qualquer jardim; seus amigos, outros coelhos tão estúpidos quanto ele também tinham os mesmos problemas. Saiam de madrugada e bebiam feito gambás. O bar do Zé se agitava nas madrugadas de sexta para sábado. Os grandes imbecis discutiam suas teorias sobre como as cenouras eram feitas. Elas tinham essas fixações: eles colecionavam cenouras...
- Elas são moídas, isso eu sei.
- Se são moídas, como elas são antes de serem moídas?
- Bom, isso eu não sei. Essa história foi um tio meu que me contou.
- Seu tio só fala merda.
- Cara, isso é carne moída. Só falam bosta.
- Falou o Sr. banheira com suco de espinafre, não é você quem diz que espinafre rejuvenesce?
- Quem é pior? O esquilo que acredita que voa, ou a galinha que não sabe que voa? Que otários...
- Eu não gosto de esquilos.
- Por que?
- Uma vez fui mordido por um.
---
Durante o caminho para o trabalho ele ia sendo seguido por Antony, sem perceber. Aliás, era o que Antony imaginava quando se escondia atrás de um poste. Ele ficou assustado ao perceber tal situação, e andava cada vez mais depressa. Ao sentar em sua mesa, percebeu Antony ao seu lado, ninguém do trabalho estava entendendo a ridícula situação.
- O chefe tá te chamando na sala, disse que não pode vir pro trabalho com animais de estimação. Disse Marcos.
- Que animal de estimacão, porra? - Perguntou perplexo. - Caralho... o que você tá fazendo aqui?!
- Acabaram as cenouras do quintal. - Respondeu Antony.
- E eu com isso, porra? - Perguntou irritado.
- Bom, não quero estragar o papo de vocês mas o chefe tá chamando. - Disse Marcos.
- Peraí, Marcos. Esse coelho vive no meu jardim. Eu não sei quem ele é, veio me seguindo até aqui.
- Vive no seu jardim e você não faz nada? Enfim, vá lá que eu acho que você vai tomar advertência.
- Elas são moídas, isso eu sei.
- Se são moídas, como elas são antes de serem moídas?
- Bom, isso eu não sei. Essa história foi um tio meu que me contou.
- Seu tio só fala merda.
- Cara, isso é carne moída. Só falam bosta.
- Falou o Sr. banheira com suco de espinafre, não é você quem diz que espinafre rejuvenesce?
- Quem é pior? O esquilo que acredita que voa, ou a galinha que não sabe que voa? Que otários...
- Eu não gosto de esquilos.
- Por que?
- Uma vez fui mordido por um.
---
Durante o caminho para o trabalho ele ia sendo seguido por Antony, sem perceber. Aliás, era o que Antony imaginava quando se escondia atrás de um poste. Ele ficou assustado ao perceber tal situação, e andava cada vez mais depressa. Ao sentar em sua mesa, percebeu Antony ao seu lado, ninguém do trabalho estava entendendo a ridícula situação.
- O chefe tá te chamando na sala, disse que não pode vir pro trabalho com animais de estimação. Disse Marcos.
- Que animal de estimacão, porra? - Perguntou perplexo. - Caralho... o que você tá fazendo aqui?!
- Acabaram as cenouras do quintal. - Respondeu Antony.
- E eu com isso, porra? - Perguntou irritado.
- Bom, não quero estragar o papo de vocês mas o chefe tá chamando. - Disse Marcos.
- Peraí, Marcos. Esse coelho vive no meu jardim. Eu não sei quem ele é, veio me seguindo até aqui.
- Vive no seu jardim e você não faz nada? Enfim, vá lá que eu acho que você vai tomar advertência.